Musicoterapia
http://www.autoresespiritasclassicos.com/Apostilas/7%20-%20Curso%20de%20Música%20e%20Espiritismo%20(USEERJ).doc
11 – Musicoterapia
É uma ciência recente e que vem se desenvolvendo e crescendo muito, inclusive no Brasil. Ao contrário do que muitos pensam, trata-se de uma carreira de nível supe-rior, com quatro anos de duração, devidamente reconhecido pelo Conselho Federal de Educação desde 1978 através do parecer 829/78. Seu currículo é composto por três grandes áreas: a científica, a musical e a de sensibilização.
Consiste na aplicação sistemática da Música por um musicoterapeuta com fins te-rapêuticos e educacionais. Não deve ser confundida com Educação Musical, embora deva o candidato a esta formação ter conhecimentos generosos de teoria e prática musical.
Os milênios e a historiografia legítima nos informam que a música e suas aplica-ções sempre estiveram presentes desde os primórdios da civilização, senão da huma-nidade.
Suas origens se assentam sobre a da própria música, que não se pode precisar. Têm-se notícias de papiros egípcios datados de mais de 1500 a.C. onde era atribuída à música influência sobre a fertilidade feminina. Outros escritos consignados como da Grécia antiga demonstravam os positivos resultados no alívio e cura das crises ciáticas tratadas com o doce toque de flautas.
O mais antigo indício de música que se tem, porém, é de uma ocarina de argila com cinco orifícios datada de 10 mil anos a.C. Ressaltamos, também, o famoso Depar-tamento Imperial de Música (incorporado ao Departamento de Pesos e Medidas) existente na antiga China, cerca de 300 anos a.C. Nele o Imperador, seus ministros, músicos e astrólogos determinavam o tamanho exato das Flautas Imperiais para garantir que a música tocada durante o seu reinado estivesse de acordo com os cor-pos celestes, isto é, julgavam que toda a harmonia universal estava relacionada aos sons musicais. Dessa forma, como previa sua cultura, a paz em todo o império estaria assegurada.
O poder dos cânticos, na cultura xamã, expulsava os espíritos de suas vítimas li-bertando-os da angústia e das enfermidades. Enquanto Apolo, o deus grego, era ao mesmo tempo o senhor da música e da cura; ao seu templo eram levados aqueles que careciam de cuidados especiais, ali ficando até seu integral restabelecimento, nunca faltando a presença da música como medicamento abençoado.
Os momentos de solenidade e êxtase de alguns segmentos religiosos atingem seu ápice juntamente com o cântico, havendo um especialmente para cada ocasião. Outros (também não espíritas) consumam o transe mediúnico com determinadas canções e ritmos. Ao falar com os deuses, antepassados, fantasmas ou espíritos – como geral-mente os chamam – os atuais curandeiros, pajés, bruxos... utilizam melodias cantadas e tocadas como canal de acesso e evocação. Recorrem à música aberta e naturalmente em busca do lenitivo, de respostas e da terapêutica que ela oferece ou media.
Devido aos traumas da Primeira e da Segunda Grande Guerra foram contratados músicos a fim de amenizarem os incontáveis traumas dos soldados americanos. Apos-tavam os hospitais que o efeito relaxante e sedativo da música pudesse trazer harmo-nia aos sofridos ex-combatentes. Não obstante, apenas na Segunda pode-se notar um avanço nos estudos sobre as possíveis e reais influências dos sons. Equipes de forma sistemática começaram a se organizar. Vejamos: O primeiro plano de estudos foi elaborado em 1944, em Michigan (EUA). Em 1950 foi fundada a Associação Nacional para Terapia Musical nos EUA. Em 1968, na Argentina, houve a Primeira Jornada Latino-Americana de Musicoterapia. Infelizmente, no Brasil, só tivemos a instalação dos primeiros cursos em 1971, no Paraná e no Rio de Janeiro. Em 1980 a Universida-de Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) daria início à prática clínica da Musicoterapia.
Dentre seus principais objetivos estão o de oferecer desenvolvimento das capaci-dades físicas, psicológicas, sociais, emocionais e afetivas do indivíduo. Considerando-se que todo indivíduo tem encoberta sua capacidade criativa, oferece subsídios para que seja redimensionado seu potencial reativando habilidades adormecidas pela cultu-ra ocidental (maior propulsora da nossa capacidade analítica e reflexiva) que ele sem-pre recebeu Sua auto-estima é ampliada durante o processo musicoterapêutico favore-cendo, assim, os resultados. Eis como se expressa Ingeñieros:
“... a música não cria coisa alguma, mas intensifica como se fosse um ressoa-dor que reforçasse, em cada indivíduo, aquilo que já existe nele.”
Aguiar nos fala sobre alguns objetivos da Musicoterapia:
“... a tentativa de reorganização do equilíbrio alcançado e da organização que favoreça a transição entre o sistema codificado não-verbal e o verbal; o fortale-cimento das relações intra e interpessoais e o pragmatismo; o incentivo à criati-vidade e à expressividade, favorecendo a auto-estima e a realização pessoal.” (p. 31).
Dentro de um contexto clínico e terapêutico a música é utilizada de forma criativa obedecendo às necessidades patológicas do paciente. Podem ser estabelecidas técnicas musicoterápicas a partir da:
• criação ou composição – conhecendo / reconhecendo novos ritmos, sons, ins-trumentos passa-se ao processo criativo. Pode-se trabalhar com compêndio de ritmos, palavras ou idéias relacionadas ao tipo de tratamento; neste caso po-dem-se aliar os instrumentos à composição vocal.
• recriação musical – semelhante à forma anterior, onde ritmos, sons, melodias ou harmonias são trabalhados, o paciente, em conjunto ou não com o musicote-rapeuta, executa ou canta músicas e melodias já existentes. A criação de paró-dias pode também ser empregada, nesse caso, articulando com os anseios do paciente e a partir do diagnóstico.
• improvisação livre ou orientada – através da utilização de instrumentos varia-dos ou da voz, o paciente e/ou o musicoterapeuta iniciam criação harmônica, melódica ou rítmica lançando mão da história musical diagnosticada e da imen-sa variação de gêneros existente.
• audição e performance musical – englobando os diversos estilos e sempre sen-do observada a necessidade de cada quadro. No caso da performance, deve-se sempre respeitar o nível de desenvoltura musical de cada indivíduo sucessiva-mente validando o processo com o carinho e atenção necessários.
Luiz Antônio Milleco utiliza a técnica “músico-verbal”, onde situações ou senti-mentos são relacionados verbalmente e expressados, em seguida, de forma sonora.
Pode-se, ainda, utilizar técnicas de construção e invenção de instrumentos musi-cais; dramatização sonoro-musical; utilização de dinâmicas diversas adaptadas aos fins musicoterapêuticos, podendo envolver músicas cantadas, tocadas, recriadas; e também lançando mão dos próprios instrumentos musicais existentes ou criados. A biodança também não pode ser esquecida! As atividades abrangem pacientes desde a gestação até a terceira idade, e portando as mais diferentes patologias nos campos físico, mental, emocional e social.
Há também atendimentos a grupos, onde se busca respeitar características e ne-cessidades afins. Como nos informa Von Baranow, os motivos variam dependendo do tipo de grupo formado, e dentre os aspectos que podem ser trabalhados cita:
“... livre expressão sonora: vocal, corporal e instrumental; melhora na comu-nicação; integração grupal; estabelecimento de limites; percepção do outro e de si mesmo; sociabilização; percepção sensorial; coordenação rítmica e motora; orientação espaço-temporal; memória, atenção e concentração; percepção sono-ra, corporal e ambiental; sensibilização; criatividade e improvisação; fantasia e imaginação; respiração e relaxamento; análises verbais das atividades realiza-das.” (p. 41).
11 – Musicoterapia
É uma ciência recente e que vem se desenvolvendo e crescendo muito, inclusive no Brasil. Ao contrário do que muitos pensam, trata-se de uma carreira de nível supe-rior, com quatro anos de duração, devidamente reconhecido pelo Conselho Federal de Educação desde 1978 através do parecer 829/78. Seu currículo é composto por três grandes áreas: a científica, a musical e a de sensibilização.
Consiste na aplicação sistemática da Música por um musicoterapeuta com fins te-rapêuticos e educacionais. Não deve ser confundida com Educação Musical, embora deva o candidato a esta formação ter conhecimentos generosos de teoria e prática musical.
Os milênios e a historiografia legítima nos informam que a música e suas aplica-ções sempre estiveram presentes desde os primórdios da civilização, senão da huma-nidade.
Suas origens se assentam sobre a da própria música, que não se pode precisar. Têm-se notícias de papiros egípcios datados de mais de 1500 a.C. onde era atribuída à música influência sobre a fertilidade feminina. Outros escritos consignados como da Grécia antiga demonstravam os positivos resultados no alívio e cura das crises ciáticas tratadas com o doce toque de flautas.
O mais antigo indício de música que se tem, porém, é de uma ocarina de argila com cinco orifícios datada de 10 mil anos a.C. Ressaltamos, também, o famoso Depar-tamento Imperial de Música (incorporado ao Departamento de Pesos e Medidas) existente na antiga China, cerca de 300 anos a.C. Nele o Imperador, seus ministros, músicos e astrólogos determinavam o tamanho exato das Flautas Imperiais para garantir que a música tocada durante o seu reinado estivesse de acordo com os cor-pos celestes, isto é, julgavam que toda a harmonia universal estava relacionada aos sons musicais. Dessa forma, como previa sua cultura, a paz em todo o império estaria assegurada.
O poder dos cânticos, na cultura xamã, expulsava os espíritos de suas vítimas li-bertando-os da angústia e das enfermidades. Enquanto Apolo, o deus grego, era ao mesmo tempo o senhor da música e da cura; ao seu templo eram levados aqueles que careciam de cuidados especiais, ali ficando até seu integral restabelecimento, nunca faltando a presença da música como medicamento abençoado.
Os momentos de solenidade e êxtase de alguns segmentos religiosos atingem seu ápice juntamente com o cântico, havendo um especialmente para cada ocasião. Outros (também não espíritas) consumam o transe mediúnico com determinadas canções e ritmos. Ao falar com os deuses, antepassados, fantasmas ou espíritos – como geral-mente os chamam – os atuais curandeiros, pajés, bruxos... utilizam melodias cantadas e tocadas como canal de acesso e evocação. Recorrem à música aberta e naturalmente em busca do lenitivo, de respostas e da terapêutica que ela oferece ou media.
Devido aos traumas da Primeira e da Segunda Grande Guerra foram contratados músicos a fim de amenizarem os incontáveis traumas dos soldados americanos. Apos-tavam os hospitais que o efeito relaxante e sedativo da música pudesse trazer harmo-nia aos sofridos ex-combatentes. Não obstante, apenas na Segunda pode-se notar um avanço nos estudos sobre as possíveis e reais influências dos sons. Equipes de forma sistemática começaram a se organizar. Vejamos: O primeiro plano de estudos foi elaborado em 1944, em Michigan (EUA). Em 1950 foi fundada a Associação Nacional para Terapia Musical nos EUA. Em 1968, na Argentina, houve a Primeira Jornada Latino-Americana de Musicoterapia. Infelizmente, no Brasil, só tivemos a instalação dos primeiros cursos em 1971, no Paraná e no Rio de Janeiro. Em 1980 a Universida-de Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) daria início à prática clínica da Musicoterapia.
Dentre seus principais objetivos estão o de oferecer desenvolvimento das capaci-dades físicas, psicológicas, sociais, emocionais e afetivas do indivíduo. Considerando-se que todo indivíduo tem encoberta sua capacidade criativa, oferece subsídios para que seja redimensionado seu potencial reativando habilidades adormecidas pela cultu-ra ocidental (maior propulsora da nossa capacidade analítica e reflexiva) que ele sem-pre recebeu Sua auto-estima é ampliada durante o processo musicoterapêutico favore-cendo, assim, os resultados. Eis como se expressa Ingeñieros:
“... a música não cria coisa alguma, mas intensifica como se fosse um ressoa-dor que reforçasse, em cada indivíduo, aquilo que já existe nele.”
Aguiar nos fala sobre alguns objetivos da Musicoterapia:
“... a tentativa de reorganização do equilíbrio alcançado e da organização que favoreça a transição entre o sistema codificado não-verbal e o verbal; o fortale-cimento das relações intra e interpessoais e o pragmatismo; o incentivo à criati-vidade e à expressividade, favorecendo a auto-estima e a realização pessoal.” (p. 31).
Dentro de um contexto clínico e terapêutico a música é utilizada de forma criativa obedecendo às necessidades patológicas do paciente. Podem ser estabelecidas técnicas musicoterápicas a partir da:
• criação ou composição – conhecendo / reconhecendo novos ritmos, sons, ins-trumentos passa-se ao processo criativo. Pode-se trabalhar com compêndio de ritmos, palavras ou idéias relacionadas ao tipo de tratamento; neste caso po-dem-se aliar os instrumentos à composição vocal.
• recriação musical – semelhante à forma anterior, onde ritmos, sons, melodias ou harmonias são trabalhados, o paciente, em conjunto ou não com o musicote-rapeuta, executa ou canta músicas e melodias já existentes. A criação de paró-dias pode também ser empregada, nesse caso, articulando com os anseios do paciente e a partir do diagnóstico.
• improvisação livre ou orientada – através da utilização de instrumentos varia-dos ou da voz, o paciente e/ou o musicoterapeuta iniciam criação harmônica, melódica ou rítmica lançando mão da história musical diagnosticada e da imen-sa variação de gêneros existente.
• audição e performance musical – englobando os diversos estilos e sempre sen-do observada a necessidade de cada quadro. No caso da performance, deve-se sempre respeitar o nível de desenvoltura musical de cada indivíduo sucessiva-mente validando o processo com o carinho e atenção necessários.
Luiz Antônio Milleco utiliza a técnica “músico-verbal”, onde situações ou senti-mentos são relacionados verbalmente e expressados, em seguida, de forma sonora.
Pode-se, ainda, utilizar técnicas de construção e invenção de instrumentos musi-cais; dramatização sonoro-musical; utilização de dinâmicas diversas adaptadas aos fins musicoterapêuticos, podendo envolver músicas cantadas, tocadas, recriadas; e também lançando mão dos próprios instrumentos musicais existentes ou criados. A biodança também não pode ser esquecida! As atividades abrangem pacientes desde a gestação até a terceira idade, e portando as mais diferentes patologias nos campos físico, mental, emocional e social.
Há também atendimentos a grupos, onde se busca respeitar características e ne-cessidades afins. Como nos informa Von Baranow, os motivos variam dependendo do tipo de grupo formado, e dentre os aspectos que podem ser trabalhados cita:
“... livre expressão sonora: vocal, corporal e instrumental; melhora na comu-nicação; integração grupal; estabelecimento de limites; percepção do outro e de si mesmo; sociabilização; percepção sensorial; coordenação rítmica e motora; orientação espaço-temporal; memória, atenção e concentração; percepção sono-ra, corporal e ambiental; sensibilização; criatividade e improvisação; fantasia e imaginação; respiração e relaxamento; análises verbais das atividades realiza-das.” (p. 41).
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